segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Soneto desfeito

Às vezes o que nos resta é só a métrica de um bom soneto,
Às vezes nada resta mesmo, nem métrica nem soneto
Alguns diriam “nem lamento”.
Sorrio mesmo agora na contramão de todo tormento.

Tudo bem já rimei, e ainda estou na métrica 4 4, 3 3,
Tudo evoca o soneto, este se quer fazer outra vez.
Grito no momento não, não se faça soneto!
Se faça lamento irracional, grunhido analfabeto!

Vou parar por aqui a pena é do poeta,
A vida de quem a leva e muda como quer.
Mas pare agora pena, virarás obsoleta.

Enfim se fez soneto
E eu pequeno cuido do meu terreno,
Que cabe dentro do peito.


Thiago Mendes

Noite Belo Horizonte 2016