sábado, 21 de maio de 2016

O Retorno do Corvo.

Volto agora definitivamente,
Sobre o corpo morto do corvo de Allan Poe.
Sobre as sobras de mim mesmo...
Repentino, cansado de já não ser quem se é!

Volto agora sobre as pétalas despedaçadas das flores do mal
Vejo o aspecto feio de Baudelaire.
Enxergo como há muito tempo não fazia
As botas marrons de Allen Ginsberg, e tudo que significa.

Volto acima de toda expectativa,
Sobre o bocejo revelador de uma mulher,
Raivoso como Jerry Lee Lewis,
Rasgando as cartas de bom moço.

Não há rima na volta, ela é cambaleante,
Grito pra mim mesmo: Chega!
Não... Digo não ao não!
O corvo bate as asas depois de morto.

Quem diria, diz a moça.


Thiago Mendes
21/05/2016
BH

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