segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Soneto desfeito

Às vezes o que nos resta é só a métrica de um bom soneto,
Às vezes nada resta mesmo, nem métrica nem soneto
Alguns diriam “nem lamento”.
Sorrio mesmo agora na contramão de todo tormento.

Tudo bem já rimei, e ainda estou na métrica 4 4, 3 3,
Tudo evoca o soneto, este se quer fazer outra vez.
Grito no momento não, não se faça soneto!
Se faça lamento irracional, grunhido analfabeto!

Vou parar por aqui a pena é do poeta,
A vida de quem a leva e muda como quer.
Mas pare agora pena, virarás obsoleta.

Enfim se fez soneto
E eu pequeno cuido do meu terreno,
Que cabe dentro do peito.


Thiago Mendes

Noite Belo Horizonte 2016

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Fiel

Como transformar tudo no que era?
Nem as plantas na escada são as mesmas,
Nem a lua talvez já envelhecida com o tempo,
Nem eu sou mais o que era ontem.

Como trazer a relva da amizade?
Essa já estraçalhada, cuspida, mal tratada
Essa ira já cumprida, os desejos saciados,
Esses desejos não freados romperam a fidelidade do cão.

Qual é a aposta?
Já não há mais jogos,
Nem solução!
Basta!

No olho do furação já não mais estará.
Calmo como um velho cantor de blues,
Pois o hoje é, e somente será o ontem do amanhã,
E eu ficarei aqui, com minhas coisinhas, até esse sol brilhar!

Thiago Mendes
2016

Belo Horizonte

sábado, 21 de maio de 2016

O Retorno do Corvo.

Volto agora definitivamente,
Sobre o corpo morto do corvo de Allan Poe.
Sobre as sobras de mim mesmo...
Repentino, cansado de já não ser quem se é!

Volto agora sobre as pétalas despedaçadas das flores do mal
Vejo o aspecto feio de Baudelaire.
Enxergo como há muito tempo não fazia
As botas marrons de Allen Ginsberg, e tudo que significa.

Volto acima de toda expectativa,
Sobre o bocejo revelador de uma mulher,
Raivoso como Jerry Lee Lewis,
Rasgando as cartas de bom moço.

Não há rima na volta, ela é cambaleante,
Grito pra mim mesmo: Chega!
Não... Digo não ao não!
O corvo bate as asas depois de morto.

Quem diria, diz a moça.


Thiago Mendes
21/05/2016
BH

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Nada é tudo e vice-versa!

Novo 64, dilema de Francisco de Maria de Jose,
Que soltaram fogos às 6 da manhã... Comemoravam!
O que, o golpe? Não!
O fim de si mesmo... Mas não sabiam.

Não há mais inteireza,
É tudo o mesmo e nada é tudo,
Funk e Samba, Rock ou Rap,
Tanto faz, não importa o canto ou canto algum.

Somos tudo, e somos nada.
Manual de como usar o titulo de eleitor,
Ativismos de “face” não sei o que,
De ”snap” já não se sabe!

O futuro é o zumbido oco no ouvido esquerdo,
O direito já muito surdo, não escuta!
Já esquecemos, somos etéreos,
Noviços sem rebeldia, de um tempo sem memória!


Thiago Mendes

Tarde 20/05/2016