quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O poeta maldito (outro retorno)

“Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Por, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas de todas as sacadas,
E ir selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausências de amanhãs,
E tudo isso devia ser qualquer outra cousa mais parecida com o que penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.”

(Álvaro de Campos, o metafísico)


O poeta maldito (outro retorno)

Se no vagão quente da vida já enluarada,
As mãos suadas de dois navegantes
Tão extremamente separadas, ausentes,
Do que de primordial, já não sobrou quase nada.

Os dedos alisam os pelos finos e sutis do pescoço... Esquecimento
A vida trai o desejo e o retorno vigoroso
Daquele que há muito já dormente teme acordar choroso.
Vida que roça seus seios fartos de forma vulgar na cara do momento!

Essa mesma vida que antes nos dava de beber,
Como crianças de seu leite cósmico
Agora nos deixa acordados, assustados, mergulhados num sofrer.

Mas eu sei que me darás ó vida, enfim o seu vigor!
Que soneto simbolista nenhum ira tirar, destroçar, roer
Essa mudança que no intimo se faz e traz de volta o amor.



Thiago Mendes

11/11/2015

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