segunda-feira, 15 de junho de 2015

Homem do deserto

No chão a terra árida, o pó que se levanta contra o sol,
O tremular do horizonte, quente como brasa, abraça.
A pele seca, da cor ensolarada, sulcos enormes do tempo,
Já perdeu tudo e tudo reencontrou, contou.

Um dia ele veio calmo como luar, atento como mar,
É senhor de tudo, mas nada quis, livre entrou no rio.
Pediu um batismo, uma mão a abençoar,
Aquele que era tudo, nada quis levar.

Não sou digno, de suas sandálias desatar!
Gritou alto e sua voz dançou no ar.
Este é meu filho, a ele deve escutar.
Uma pomba falou, antes de se desmaterializar.

O sol se punha no mesmo horizonte,
Mas ele sabe que a vida mudou e mudará.
Pois viu Deus, nascido pra tudo salvar.
E descansou tranqüilo, pois não há mais nada imaginar.

Thiago Mendes
Belo Horizonte 06/2015

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