sábado, 6 de junho de 2015

Dês-apontamento

"Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso..."
(Fernando Pessoa)



Fui pra algum lugar fora de mim,
Fora do rumo das coisas normais e extravagantes,
Fora dessas asas agitadas no peito, mas fui
Partido pelo luxo de quem se embeleza.

Quanto tempo a simplicidade varreu nosso lar,
Embelezou nossa face, duas maçãs.
Quanto tempo faz que andamos juntos no pior do mundo,
E qualquer canto era encanto, cheio de leveza.

Queria excomungar essas luzes ofuscantes
Luzes ilusórias das ruas, dos bares.
Lustrar os sapatos com notas de 20 que não tenho,
Desfazer o deslumbre e, reatar a singeleza.

Não é só dor que sinto, desapontamento e embriagues,
Essas coisas baratas que se encontram em qualquer lugar.
Saio na porta, estou só, minhas previsões falharam!
Não grito, não choro, sinto um calor, um tremor sem beleza.


Thiago Mendes

BH, noite 06/2015

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