quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A volta do poeta maldito (um soneto)

“Nada pode igualar os dias tormentosos
Em que, sob a pressão de invernos rigorosos,
O Tédio, fruto inf'liz da incuriosidade,
Alcança as proporções da Imortalidade.”
(Charles Baudelaire )


Instantes sólidos se desmancham no ar
Respiras o que a muito não pode.
De tudo que de vago instante envolve
Nessas horas vagas, vagas maldito no mar.

Cansado do cansaço inútil do sonhar;
Pranteia maduro, queixas inúteis,
Dias que de tudo tem de imponderáveis
Esquece, deixa de lado o inútil falar.

Pago pelo barqueiro que insiste em navegar,
Do outro lado da margem maldita,
Dos anos que o vento vem assombrar.

Daqui olha o mundo pra tudo amenizar,
Uma vida que daqui em diante
Olhará de forma ignóbil o inútil banalizar.


Thiago Mendes
Outubro de 2014

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