quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Alcunha de maldito.

“Na almofada do mal é Satã Trimegisto
Quem docemente nosso espírito consola,
E o metal puro da vontade então se evola
Por obra deste sábio que age sem ser visto.”

“É o Diabo que nos move e até nos manuseia!
Em tudo o que repugna uma jóia encontramos;
Dia após dia, para o Inferno caminhamos,
Sem medo algum, dentro da treva que nauseia.”
(Baudelaire)



Na manhã o parto acontece sempre novamente,
Renascido para essa novidade, antiga do mundo
O ar sempre rarefeito da razão, diluindo luto.
Sua voz distância falante, revela medo somente.

Na entranhas da noite, nesse moderno clarão
Moralismo reverso, voz do perverso.
As ruas decantam sublime o medo reverso;
Acordar pra surpresa, certeza de suspeição.

Amor entenda que não entendes o caos;
Na vida do poeta, sempre o alerta o ruído.
O arranhar da voz que vem quente como Naos.

Estrela vazia que radia o calor das ruas sombrias,
Das noites insones, diabos assombros, arrepios.
Espera que virá em resposta ao silêncio, avarias.


Thiago Mendes novembro 2014

A volta do poeta maldito (um soneto)

“Nada pode igualar os dias tormentosos
Em que, sob a pressão de invernos rigorosos,
O Tédio, fruto inf'liz da incuriosidade,
Alcança as proporções da Imortalidade.”
(Charles Baudelaire )


Instantes sólidos se desmancham no ar
Respiras o que a muito não pode.
De tudo que de vago instante envolve
Nessas horas vagas, vagas maldito no mar.

Cansado do cansaço inútil do sonhar;
Pranteia maduro, queixas inúteis,
Dias que de tudo tem de imponderáveis
Esquece, deixa de lado o inútil falar.

Pago pelo barqueiro que insiste em navegar,
Do outro lado da margem maldita,
Dos anos que o vento vem assombrar.

Daqui olha o mundo pra tudo amenizar,
Uma vida que daqui em diante
Olhará de forma ignóbil o inútil banalizar.


Thiago Mendes
Outubro de 2014

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Ansiedade em luar.

Agora não sabes,
Não tens para onde perambular,
Nas ruas de ouro perdeu o juízo
Veio a mendigar.
Mas nem pão e nem vinho
Nem água pra tomar.
Cheio de andorinhas
Habitantes abdominais,
Que voam até sua mente
Ansiedade em luar.
Paredes de edifício
Vem a tudo cercar,
Nublando sua mente
Mentes ao contar.
Que perdestes o juízo
Quando ela chegou do mar,
Um mar de marasmo de tua vida tirar.
Sou eu esse louco,
Tremo ao pensar,
Que a vida mude toda
Se ao teu amor me entregar.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Palavras/silêncio



Sincero falatório chama,
Que se apaga
Agora dama,
Das tuas palavras agora flama.

O grito não dado,
A voz rouca alma
Na angústia perene,
Dos meus olhos ausentes.

Vou-me,
Distancio-me mais
Pouco tempo atrás
Havia sorte até demais.

Quando no amor o mais completo
Quando do abraço o terno afeto,
De tudo que agora se vai,
Esvai-se, escorre completo.

Término fatal,
Tanta roupa no varal
Que eu nunca irei pegar.
Tanto bem, tanto mal
Que nunca irei usar.

Depois de nascer
Escolha não há.
Tens que renascer,
Como o sol no amanhecer
Que sempre vem nos visitar.

Eu falei,
Falei até demais
Como ator em busca da paz
A qual nunca...nunca encontrarás.



Thiago Mendes 21/04/2014