terça-feira, 10 de setembro de 2013

Com fel, mas vem.


Vem me chama no portão, grita meu nome com rancor,
Vai me tira a paz, destrata dessa alma vil.
Corre pra trazer o desespero, insegurança,
Traz a minha lembrança a dor que já me assombrou.

Entra por aquela porta e me joga na cara um livro,
Quebra um copo, um disco,
Destrói aquele quadro do Jim,
Rasga os desenhos, diz palavrões e diz que nada sobrou.

Conjura sobre os meus ancestrais mais antigos,
Tira-me tudo, esbraveja que sou um lixo,
Pede um cigarro, fuma num segundo,
Mostre pra mim que dor que lhe causei, cospe onde estou.

Vem depressa, nessa hora, que não falte o teu dissabor...
Faça isso tudo...mas por favor não fique em silêncio...
Silêncio eu não agüento mais...silêncio...restou.



Thiago Mendes 10/09/2013

2 comentários:

  1. Olha meu bem, olha bem.
    Não é que eu lhe queira o mal.
    Nem é que lhe feche as cortinas.
    Mas é que essas palavras, qual corda bamba,
    Se equilibram pra ti somente com a escrita em pé.

    Pois então meu bem, se olhares bem.
    Verás que sou malabarista aprisionado.
    Nessas cordas de palavras que sem tinta não me firmam.

    Se o palco vazio te destrói, o espetáculo me apavora.
    Toda acrobacia, todas as piruetas.
    Deslizes do palhaço que finge
    Grande feito a sua encenação.

    Manobra com o monociclo?
    Alívio sinto por não a fazer.
    A mão na boca do leão?
    Não há adrenalina que compense.
    Quanto a saltar do trampolim?
    Me arrepio por ter o maquinado.

    Lindo espetáculo, o picadeiro vazio.
    Tudo se enche, se o monociclo para.

    E vais pensar que de circo não gosto.
    Que a atração não me diverte.
    Como não? Eu me preencho.
    Seria mulher barbuda, trapezista, leão.
    Seria
    No palco vazio, seria.

    Pois olhe bem, meu bem.
    Não cobro entrada para minhas acrobacias
    Não decreto fim á temporada.
    Mas o espetáculo só acontece
    Quando a tinta percorre a linha
    Quando a letra ruge feroz
    Quando o palhaço se rende ao papel.

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