domingo, 27 de outubro de 2013

Sem perceber

Meus olhos se perderam por ai,
Não percebi quando o seu olhar mudou,
Quando o brilho fugiu,
Quando o amor acabou.

Minhas mãos tremulas do frio reclama,
Não percebi quando suas mãos se foram,
Quando o calor dissipou,
Quando o amor acabou.

Meus ouvidos exaustos queixam de dor,
Não percebi quando sua voz se afastou,
Quando o silêncio chegou,
Quando o amor acabou.

Minha boca seca clama por água,
Não percebi quando seus lábios se fecharam,
Quando o beijo secou,
Quando o amor acabou.

Um cheiro sem novidade invade minha alma,
Não percebi quando seu cheiro ao longe se perdeu,
Quando o cheiro enfraqueceu,
Quando o amor acabou.


Thiago Mendes 2013

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Com fel, mas vem.


Vem me chama no portão, grita meu nome com rancor,
Vai me tira a paz, destrata dessa alma vil.
Corre pra trazer o desespero, insegurança,
Traz a minha lembrança a dor que já me assombrou.

Entra por aquela porta e me joga na cara um livro,
Quebra um copo, um disco,
Destrói aquele quadro do Jim,
Rasga os desenhos, diz palavrões e diz que nada sobrou.

Conjura sobre os meus ancestrais mais antigos,
Tira-me tudo, esbraveja que sou um lixo,
Pede um cigarro, fuma num segundo,
Mostre pra mim que dor que lhe causei, cospe onde estou.

Vem depressa, nessa hora, que não falte o teu dissabor...
Faça isso tudo...mas por favor não fique em silêncio...
Silêncio eu não agüento mais...silêncio...restou.



Thiago Mendes 10/09/2013