segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Humanos


O gosto de asfalto, cheiro de cigarros,
Vapor de álcool angustiante,
Bailarinas do sono.

Suor, lágrima salgada no canto da boca,
Líquido inebriante,
Deus do mar do outono.

Pés, mãos em desespero rápido,
Ar sufocante,
Humano do outro lado do oceano


Thiago Mendes

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ilusão


O ser veste sua roupa,
Põe a mascara
Silencia a voz insaciável
Mastiga e engole a dor execrável.

Os olhos úmidos,
O contorcer da alma
Das vísceras do espírito,
Enjôo miserável.

No canto da boca o gosto amargo
A bílis expulsando um sulco asmático.
Nessa escuridão, passa o chão
Rápido pelas asas do imaginável.

No espelho o mesmo reflexo
Demônio fugido de um possesso.
No rosto a marca do tempo
Do túnel sóbrio e invariável.

Num instante do qual não se pode medir
O sorriso do palhaço quebra o espetáculo,
Fingido de dor, de ilusão
O chão reaparece na luz imutável.


Thiago Mendes