sábado, 18 de agosto de 2012

Variações sobre o poeta maldito: Segundo pensamento.


“Conjurei os verdugos para morder, na minha agonia, a culatra de seus fuzis. Conjurei as pragas, para afogar-me na areia, no sangue. Fiz da desgraça a minha divindade. Refocilei na lama. Enxuguei-me ao ar do crime. E preguei boas peças à loucura.
E a primavera trouxe-me o horrível gargalhar do idiota. Ora, por último,
chegando a ponto de quase fazer o trejeito final, sonhei encontrar a chave do festim antigo, no qual talvez recobraria o apetite.”

“A caridade é essa chave. - Esta inspiração prova que tenho sonhado!”

(Arthur Rimbaud)




Há numa ilha isolada no mar do tempo,
Agruras pensantes, vozes tão falantes,
Apagam a esperança com canções de ébrios
Sóbrios meninos, de sonho renitente.

Há no solado da porta, carta atroz,
Escrita por mãos indigentes,
Pobre gente de espírito febril,
Que desencanta do espírito o que tem de potente.

Há numa instância eterna,
A esperança dormente,
Escondida sobre véus
Cegueira sobre toda gente,
Escondendo o brilho que se vai sutilmente.

Há uma dor em silêncio,
Que corrompe as gentes,
Lá longe no inconsciente,
Mordida feros do dia dormente.

Há nas lonjuras mais distantes
Poetas vacilantes,
Quebrando as canetas
Queimando os papeis,
Escondendo de toda essa gente doente.

A verdade que ninguém quer.



Thiago Mendes

Belo Horizonte, Inverno 2012

2 comentários:

  1. Adorei teu espaço, Thiago.

    Linda essa poesia. Há sempre um porém em cada ação humana,nós somos torpes, por mais bem intencionados.

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  2. Que bom q gostou da poesia...valeu Marcelo!

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