sábado, 29 de outubro de 2011

O que resta




O que resta na vida quando se pensa na ida,
Quando do caos estira-se o labor,
O rumor de uma vida em ascensão,
Em um caminho obrigado a não ter saída?


Thiago Mendes

sábado, 22 de outubro de 2011

Mesmo...




Minhas linhas quebradas,
Sobre sombras varridas,
Nessa casa ornamentada,
Pelas fraquezas da vida.

Minha fila de erros,
Pelas vias o mesmo,
Esse som perdido a ermos,
Preso no intimo daqueles desejos.

Thiago Mendes

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sobre o palhaço e o dilema da rosa



Sobre espinhoso dito jocoso,
faz da sombra o esposo,
da vida esse bolo,
adornado de fogo.

Palhaçada !
grita cansada a rosa amuada,
que da vida parece que exala,
fragrâncias de dor assim tão rara.

É de sua sombra espinhosa,
que arranca de mim palavras maldosas,
ô dita rosa,
que espirra da alma mucosa dolorosa.

É na minha engraçada encenação,
que arranco pétalas de teu coração,
de brutos braços toco a canção,
que de beleza engana tua solidão.

Ela sangra, ele da risada,
pois é bela a vida assim tão rasa,
de solidão a dois assim tão vasta,
chora ditosa rosa que de dor se farta.


Thiago Mendes

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Fato



O tempo o que faz com a gente,
Transforma assim essa vida dormente
Em vento suave vindo assim do oriente,
Em meio a treva de toda essa gente, exigente.

Compra-me um sonho,
Um suspiro no mar de outono
Neste setembro estranho,
Há sempre esse brilho te ofuscando.

Há sempre esse canto,
Dessa gente toda de santo,
De santo assim no pranto
De tudo que é tanto.

Abraça-me aquele abraço,
Que vem assim sem laço,
Sem a prisão que é fato,
Vive aí em teu tato.


Thiago Mendes

2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Espera.


Espera que pela retina vem,
O choque,
De uma vida assim,
Feita pelo peito refém.

Espera que dela jorra,
Escorre o amargo,
De uma dor,
Que a vida retém.

Espera, desespera,
Faz do agora,
O ambiente,
Do além.

Espera ardor nos olhos,
Que de balsamo,
Uma crua paz,
Que o outrora retém.

Espera alma,
Geme espírito,
Esse gozo virá,
Pois enfim o Eterno vem, amém.


Thiago Mendes

2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Vou-me indo.



Que de lágrima, dela vindo,
Em teus olhos,
Dias indo,
E eu vou,
Pelas esquinas,
Ouvidos outras canções,
Mesma rima,
Em me vou,
Não chore menina,
Há um sol em outra vida.

Há um sol,
Outra rima,
Dois olhos,
Olhando a vida,
Como você,
Como o dia,
Pra você,
Minha menina,
Eu me vou,
Nesta lida.

Há um quadro,
Pintura cistina,
Reflete um milagre,
Filha do dia,
Que de tuas quentes lágrimas,
A profecia,
De outro dia,
Que vem,
E que finda,
Doce menina.


Thiago Mendes

sexta-feira, 25 de março de 2011

Complicada via.



Se por tempo que não se tem,
A vida como a de outro alguém,
Caminha como a minha e a sua,
No espaço vago dessa rua.

Dessa vida minha e sua,
Nessa vida fajuta,
E o certo que na muita ajuda,
Expressa a franca fraqueza sua.

Completa-se a pequena silueta,
De verme, vida pequena,
De quem dorme e não sabe,
Que a vida desenvolve seus álibis.

Thiago Mendes

quinta-feira, 24 de março de 2011

livre desejo



Que a ponte entre o amanhecer,
E as dores sagradas da saudade,
Aqueçam o corpo que conhece o tempo.

Que as flâmulas do destino,
Destilem mel no arado destas dores,
E se rendam ao segredo.

Que o oráculo desta vida,
Teça a vida nas entranhas da esperança,
Deixando livre o desejo.

Sopre em mim o encanto e se vá,
E volte antes que acabe a luz de quem morre estrela,
Desejo retorne ao peito no sagrado momento.

E me prenda enquanto te deixo livre,
Ô suave prisão, mente que não mente,
Cure-me, encantada pintada de noite e soneto.


Thiago Mendes

quarta-feira, 23 de março de 2011

Cristais de vidro



Chão brilhando feito cristal em noites de sonhos,
céu estranhamente aberto com estrelas nebulosas, ínfimo.
Iluminando não só o céu, mas a escuridão de nossos medos,
abrindo a imensidão estática de que nos é intimo.

Sentindo o calor tímido das peles,
perto daquela pureza que desfaz os átomos.
Nesse céu de antigos deuses encarcerados,
não somos prisioneiros desse desejo que amamos.

Mulher que pureza/leveza estranha é esta em teus olhos?
É como se o mundo deixasse seu presente e fosse embora.
Me deixando sobre o manto tinto do céu, sozinho lá fora.
Sentindo o perfume do desejo, mundo que aflora.

Não deites sobre amargura, como amargo vinho,
se lance na leveza das plumas, asas de anjos.
E abrace aquele que te abraça, como alegria vindo,
E me acolha em ti, como o infinito acolhe os sonhos.

Thiago Mendes.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Amarras





Palavras vividas e verdejantes
Fazem de forma a enaltecer os sentidos,
Bem imensurável a um coração
Em amarras de funduras abissais,
Que ao ser tocado
Por cálidas doces palavras
Explode em pulsações que destroem
Qualquer pretensa couraça ou armadura medieval.


Thiago Mendes

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Agora.



O soturno terror não entoa mais esse cântico de Pandora,
Pois o mal sabe que é chegada a sua hora.
A hora de tudo o que existindo existir como diabo, ir embora.
Sim venha o mar do eterno bem do Eterno, venha agora.

Um amém pra vida que há lá fora,
E pro bem que aqui dentro aflora.

Thiago mendes