quinta-feira, 25 de novembro de 2010

De seis às nove




Manhã ácida na alma, angústias previas na alva,
Ilusão matinal, como caminho de promessas que salva.

É tão cedo e a vida já viveu o que pode,
De seis às nove.

De seis às nove, eu temo que o dia se precipite na dor que se esvai,
De certo que à certo tempo eu já não temia, mas minha paz se vai.

É cedo demais pra se ver naqueles olhos de mulher,
O gosto de eternidade que perdi e, que sempre se quer.

De seis às nove, que se desdobre o cordão do passado,
E que antes que o mundo tome nota, me tome por perdoado.

O dia segue o seu curso, os anos sua força,
Sempre de seis às nove, antes que nos feche a boca.

De seis às nove,
O chá que se prove,
Sempre, de seis às nove.


Thiago Mendes

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